terça-feira, 1 de abril de 2008

Vincit qui se vincit

Ele nunca foi comunicativo, principalmente fora do seu círculo de amizades. Ele sempre ficava quieto, apenas ouvindo. Principalmente se, entre todas aquelas pessoas, existisse alguém que o atraía. Nesses casos, sua timidez só lhe permitia que ficasse olhando, como que hipnotizado, e sorrindo o seu velho sorriso sem graça sempre que ela olhava em sua direção.

Ontem, como em todas as vezes que isso acontecia, sua imobilidade o irritara. Queria ter tido a coragem de caminhar na direção dela e, olhando em seus olhos, dizer o quão linda ela lhe parecia. Queria ter esquecido por um momento de toda a sua timidez, mas a simples presença dela o deixava sem reação e a voz dela, com o seu jeito de falar cantado, o embalava, levando a sua mente para um torpor do qual não podia sair.

Tudo o que ele quer é mandar pro inferno o seu medo de errar e o seu espírito de análise, que sempre lhe cobra uma perfeição que ele não consegue atingir e lhe impede de tentar. E pior que tudo, a sua timidez.

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