quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Sem cor ou poesia

Cada segundo sem ver o rosto dela era como uma eternidade. Não ouvir a respiração dela fazia com que a sua vida perdesse o sentido. Não conseguia mais suportar a ausência dela.
A cada minuto sem notícias, seu peito se aperta mais e mais até vê-la com aquele sorriso que seria capaz de derreter tudo o que há de errado no seu mundo.
Sem ela por perto, seu mundo perdia a cor e a poesia. Sem ela, não era capaz de escrever uma linha sequer.


Não estejas longe de mim um só dia, porque como,
porque, não sei dizê-lo, é comprido o dia,
e te estarei esperando como nas estações
quando em alguma parte dormitaram os trens.

Não te vás por uma hora porque então
nessa hora se juntam as gotas do desvelo
e talvez toda a fumaça que anda buscando casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que não se quebrante tua silhueta na areia,
ai que não voem tuas pálpebras na ausência:
não te vás por um minuto, bem-amada,

porque nesse minuto terás ido tão longe
que eu cruzarei toda a terra perguntando
se voltarás ou se me deixarás morrendo.
[Pablo Neruda - XLV]

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